terça-feira, 5 de maio de 2015

A PERSPECTIVA DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA



A POLÍTICA NACIONAL DE EDUCAÇÃO ESPECIAL NA PERSPECTIVA DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA

A educação especial é uma modalidade de ensino que perpassa todos os níveis, etapas modalidades, realiza o atendimento educacional especializado, disponibiliza os recursos e serviços e orienta quanto a sua utilização no processo de ensino e aprendizagem nas turmas comuns do ensino regular.

O atendimento educacional especializado tem como função identificar, elaborar e organizar recursos pedagógicos e de acessibilidade que eliminem as barreiras para a plena participação dos estudantes, considerando suas necessidades específicas.

As atividades desenvolvidas no atendimento educacional especializado diferenciam-se daquelas realizadas na sala de aula comum, não sendo substitutivas à escolarização. Esse atendimento complementa e/ou suplementa a formação dos estudantes com vistas à autonomia e independência na escola e fora dela.

Dentre as atividades de atendimento educacional especializado são disponibilizados programas de enriquecimento curricular, o ensino de linguagens e códigos específicos de comunicação e sinalização e tecnologia assistiva.

Ao longo de todo o processo de escolarização esse atendimento deve estar articulado com a proposta pedagógica do ensino comum. O atendimento educacional especializado é acompanhado por meio de instrumentos que possibilitem monitoramento e avaliação da oferta realizada nas escolas da rede pública e nos centros de atendimento educacional especializados públicos ou conveniados.


O acesso à educação tem início na educação infantil, na qual se desenvolvem as bases necessárias para a construção do conhecimento e desenvolvimento global do aluno.

Nessa etapa, o lúdico, o acesso às formas diferenciadas de comunicação, a riqueza de estímulos nos aspectos físicos, emocionais, cognitivos, psicomotores e sociais e a convivência com as diferenças favorecem as relações interpessoais, o respeito e a valorização da criança. Do nascimento aos três anos, o atendimento educacional especializado se expressa por meio de serviços de estimulação precoce, que objetivam otimizar o processo de desenvolvimento e aprendizagem em interface com os serviços de saúde e assistência social.

Em todas as etapas e modalidades da educação básica, o atendimento educacional especializado é organizado para apoiar o desenvolvimento dos estudantes, constituindo oferta obrigatória dos sistemas de ensino.

Deve ser realizado no turno inverso ao da classe comum, na própria escola ou centro especializado que realize esse serviço educacional.
Desse modo, na modalidade de educação de jovens e adultos e educação profissional, as ações da educação especial possibilitam a ampliação de oportunidades de escolarização, formação para ingresso no mundo do trabalho e efetiva participação social.

A interface da educação especial na educação indígena, do campo e quilombola deve assegurar que os recursos, serviços e atendimento educacional especializado estejam presentes nos projetos pedagógicos construídos com base nas diferenças socioculturais desses grupos.


Fonte:
http://pfdc.pgr.mpf.mp.br/informacao-e-comunicacao/informativos-pfdc/edicoes-2007/docs-outubro/Anexo%20Inf%2080%20Verso%20Preliminar%20-%20Politica%20Nacional%20de%20Educao%20Especial.pdf

quarta-feira, 29 de abril de 2015

REFLEXÃO SOBRE O SILÊNCIO



Talvez seja silêncio o que vou dizer, não sei descrever gestos. Ele conversa sem parar. Ouço ruídos, sons onomatopeicos. Para conversar é preciso fixar vista, para entendê-lo é preciso muitas horas de estudos. Eu não tenho essas horas. Observo, ele, com um notebook na mão, digita numa velocidade impossível. Adapto-me à humilhação. No teclado, meus dedos têm a velocidade das leis do meu país. Ele abre um chat e conversa como gente “normal”, fazendo gestos e sons. No momento observo uma colega com o telefone no ouvido apontando a direção de uma casa comercial. Ela também usa sons onomatopeicos e interjeições na fala. Semelhante, sou silêncio, observação. A colega desliga o telefone e conversa com ele. A conversa não me interessa. Sou acostumado aos sons. Volto a ele. Sinto outra vez a humilhação: ele digita num celular, fala para a câmera no notebook, separa seu material de trabalho, eu, me perco numa coisa só e preciso repetir várias vezes a leitura do meu texto. Outras pessoas invadem a sala, conversam com ele. Os sons são poucos. Eu o conheço de outros tempos, já estivemos ligados num mesmo gosto. Agora somos parte de uma equipe. As pessoas conversam com ele, é preciso que ele fale, não pode haver invasão de fala. A conversa só acontece se houver olhos nos gestos. Quando ele fala as pessoas observam, quando as pessoas falam ele fixa o olhar. Assim, com atenção. No momento amarroto-me pensando no vazio da pressa dos nossos dias. Prestaríamos melhor atenção se fôssemos surdo/mudos.